Tuesday, July 25, 2017

De volta Aleyda Romero

La transparencia del tiempo

Aleyda Romero                                                                                          Para Víctor Manuel                             
                                               
Me descubro en tus ojos                       
Como la primera vez,                           
No me oculto.                                 
Pero vos sos predecible                       
No intento triquiñuelas,                       
Ya me conoces,                                 
Puedo descansar en vos.                       
Te encuentro,                                 
Disfruto ese romance de tu mirada             
Ese preludio                                   
Ese ritual.                                   
Esa batalla donde sucumben mis emociones.     
Renovada,                                     
Por este amor que no corroe el tiempo,         
Que vence la rutina,                           
Que busca otra vez;                           
Sumergido en la transparencia del tiempo.     
Desaparecemos.                                 
Ni vos,                                        
Ni yo,                                         
Ni antes,                                     
Ni después…                                   
Juntos.              

A transparência do tempo
                                                
Descubro-me em teus olhos
Como a primeira vez,
Não escondo.
Porém, és previsível
Não tentas me ludribiar,
Já me conheces,
Posso descansar em ti.
Te encontro,
Desfruto esse romance de teu olhar
Esse prelúdio
Esse ritual.
Essa batalha onde sucumbem minhas emoções.
Renovada,
Por este amor que não corrói o tempo,
Que supera a rotina,
Que busca outra vez;
Submerso na transparência do tempo.
Desaparecemos.
Nem vós,
Nem eu,
Nem antes,
Nem depois ...

Juntos.

Ilustração: Universidade do Porto. 

Monday, July 24, 2017

Uma outra poesia de Francisco de Quevedo


Soneto amoroso definiendo el amor

Francisco de Quevedo

Es hielo abrasador, es fuego helado,
es herida que duele y no se siente,
es un soñado bien, un mal presente,
es un breve descanso muy cansado.

Es un descuido que nos da cuidado,
un cobarde, con nombre de valiente,
un andar solitario entre la gente,
un amar solamente ser amado.

Es una libertad encarcelada,
que dura hasta el postrero paroxismo;
enfermedad que crece si es curada.

Este es el niño Amor, éste es su abismo.
¡Mirad cuál amistad tendrá con nada
el que en todo es contrario a sí mismo!

SONETO AMOROSO DEFININDO O AMOR

Este gelo abrasador é fogo congelado,
É ferida que dói e não se sente,
É um sonho bom, um mal presente,
É um breve descanso muito cansado.

É um descuido que nos dá cuidado,
um covarde, com nome de valente,
um andar solitário entre a gente,
um amar somente de ser amado.

É uma liberdade encarcerada,
que dura até o próximo paroxismo;
doença que cresce se for curada.

Este é o menino amor, este é o seu abismo.
Veja qual a amizade terá com o nada
E que no todo é contrário a si mesmo!

Ilustração: http://www.amblo.net

Friday, July 21, 2017

Outra poesia de Héctor Rosales


TEMPRANO DOLOR                                                        

Héctor Rosales

Precocidad maldita, dijera-bajo el parral
en el patio dominado por lucero- el anciano
interpretando mi tensa vigilia.

Las luces vegetales eran niños
arriba, en redondas durmiendo gravedades negras.

Precocidad maldita, tenía razón.
El otõno ya me estava doliendo.

DOR PRECOCE

Maldita precocidade, disse debaixo da videira
no pátio dominado pela luz das estrelas
interpretando minha tensa vigília.

Luzes vegetais eram crianças
no alto, em redondas gravidades negras dormindo.

Maldita precocidade, tinha razão.
O outono já me estava doendo.

Uma poesia de Yves Bonnefoy


Noli me tangere

Yves Bonnefoy

Hésite le flocon dans le ciel bleu
A nouveau, le dernier flocon de la grande neige.

Et c'est comme entrerait au jardin celle qui
Avait bien dû rêver ce qui pourrait être,
Ce regard, ce dieu simple, sans souvenir
Du tombeau, sans pensée que le bonheur,
Sans avenir
Que sa dissipation dans le bleu du monde.

«Non, ne me touche pas», lui dirait-il,
Mais même dire non serait de la lumière.

NOLI ME TANGERE

Hesita o floco diante da neve no céu azul
A neve, último floco da grande nevada.

E é como se no jardim entrasse a que
Bem  poderia ainda sonhar com o que poderia ser,
Esse olhar, esse deus simples, sem memória
Do sepulcro, sem outro pensamento que a sorte,
Sem outro futuro
Que sua dissolução no azul do mundo.

"Não me toques, não", lhe diria ele,
Porém, até o dizer não seria luminoso. 

Thursday, July 20, 2017

Uma poesia de Saúl Ibargoyen

Para una muchacha en la lluvia                    

Saúl Ibargoyen

Usted tú vos señora señoría
señorita vuesa merced doncella
sacerdotisa actriz astronauta
viuda virgen profesionista amadora
amante sirvienta sibila emperatriz
mendiga moza del partido campesina
cocinera poeta suripanta:
cada día de cada noche
he visto
cómo las lluvias
de esta desplomada ciudad
ensucian también
todo su llanto
suyo de usted
todo tu sollozar
tuyo de ti
todas vuestras
nuestras gotas
y chorros y humedades
y lágrimas.

PARA UMA JOVEM NA CHUVA

Você tu vós senhora senhorinha
senhorita vossa mercê donzela
sacerdotisa atriz astronauta
viúva virgem profissional amadora
amante empregada feiticeira  imperatriz
mendiga moça do partido camponesa
cozinheira poeta periguete :
cada dia de cada noite
te vi
como as chuvas
desta  desastrosa cidade
que suja também
todo o seu pranto
seu de você
todo o seu soluçar
teu de ti
todas vossas
nossas gotas
e jatos e umidades
e lágrimas.


Ilustração: Legalmente Menina - WordPress.com. 

Uma poesia de Héctor Rosales

TANGO                                                                                        
Héctor Rosales

Canto com voz de tez danada
en esta soga de papel, canto
a los puertos impossibles
donde vive lo que tanto
nos falta, y canto
para vos, Hermano timonel
del mismo rumbo inmundo
en que nos tocó perder.

Canto com la rebeldia diezmada

en los versos que la nada
no acabó de roer.  

TANGO

Canto com voz de pele estragada
nesta corda de papel, canto
aos portos impossíveis
onde vive o que tanto
nos falta, e canto
para vós, irmãozinho timoneiro
do mesmo rumo imundo
aos qual nos tocou perder.

Canto com a rebeldia dizimada
com os versos que o nada
não acabou de roer. 

Uma outra poesia de Alfonso Chase


Una gota de sangre

Alfonso Chase

Una gota de sangre, hoy,                           
puede contener                                     
el límite de todo el universo.                     
Una bofetada, en su rumor metálico,                 
no podría nunca domar el dulce abismo de unos ojos 
y el golpe, magistral sobre los tímpanos,           
no nos priva de oír el sonido                       
de esos caballos, recorriendo firmes el desierto   
sobre sus cascos serenos.                           
                                     
La lluvia, anhelada e imposible,                   
dilata cualquier celda,                             
creada para contenernos.                           
                                                                          
Una lágrima expulsada,                             
hacia el adentro del llanto,                       
es más poderosa que las bombas cayendo             
sobre ciudades inertes.                              
                                      
La esperanza está definida en los cuerpos           
saltando en miles de átomos vengadores,             
en ese ser en la muerte                             
que es igual a Ser para la resurrección.    


UMA GOTA DE SANGUE

Uma gota de sangue, hoje,
pode conter
o limite de todo o universo.
Uma bofetada, em seu rumor metálico,
não poderia nunca domar o doce abismo de uns olhos
e o golpe, magistral sobre os tímpanos,
não nos priva de ouvir o som
dos cavalos, galopando firmes no deserto
sobre seus cascos serenos.
                                 
A chuva, sonhada e impossível,
dilata qualquer célula,
criada para nos conter.
                               
Um lágrima expulsa,
até o interior do pranto,
é mais poderosa do que as bombas caindo
sobre as cidades inertes.
                                      
A esperança está definida nos corpos
saltando em milhares de átomos vingadores,
em morrer esta morte
que é igual a ser para a ressurreição.

Ilustração: Portal dos Ranchos. 


Wednesday, July 19, 2017

E, de volta, Ramón de Almagro

Me pregunto                                                        
(Soneto II )

Ramón de Almagro

Que se dirán, amor, esas veredas
Que nos vieron pasar juntos del brazo
Que se dirán, amor, hoy que nos queda
Llevar entre los dos nuestro fracaso.

Que se dirán, amor, aquellos árboles
Que marcamos con tantos juramentos
Que se dirán si oyen nuestras voces
Discutiendo llevadas por el viento.

Que se dirán, amor, esas estrellas
Que se dirán al ver nuestras querellas
Que se dirán, ya sé... no dirán nada.

Amores tan deshechos como el nuestro
Se ven tantos, amor, que por supuesto,
Las estrellas ya están... acostumbradas


Me pergunto
(Sonnet II)

Que se dirão, amor, essas veredas
Que nos viram passar juntos de braços
Que se dirão, amor, hoje que nos queda
Levar entre os dois nosso fracasso.

Que se dirão, amor, aquelas árvores
Que marcamos com tantos juramentos
Que se dirão se ouviram nossas vozes
Discutindo levadas ao sabor do vento.

Que se dirão, amor, essas estrelas
Que se dirão ao ver nossas querelas
Que se dirão, eu sei ...não dirão nada.

Amores com desfechos como o nosso
Se vão tantos, amor, que, por suposto,
As estrelas já estão acostumadas ...

Ilustração: Revista Interlúdio. 



Outro poema de Julio Miranda



AHORA

Julio Miranda

Ahora bebes ron y escribes este poema
un micrófono oculto puede estar captando
el tecleo de la máquina, el crepitar del cigarrillo, los crujidos cada vez que te mueves.
En la camioneta donde graban ruidos tan banales
maldiciendo una misión aparentemente estúpida
los técnicos toman café, fuman, ríen ante algún chiste grosero que quizás tenga que ver con
tu esposa.
No te asomes. Se irán dentro de poco, convencidos de que esta noche nada pasará.
Sigue escribiendo, pues, tu poema
o, mejor, termínalo.
Pero no lo leas en voz alta
por si acaso.

AGORA

Agora bebes rum e escreves este poema
um microfone oculto pode estar captando
o teclar da máquina, o crepitar do  cigarro, os ruídos cada vez que te moves.
Na camionete onde gravam ruídos tão banais
maldizendo uma missão aparentemente estúpida
os técnicos tomam café, fumam, riem de uma piada suja que , talvez, tenha a ver com tua esposa.
Não apareças. Eles vão sair em breve, convencidos de que esta noite não vai acontecer nada.
Segue escrevendo, pois, teu poema
ou melhor, é bom terminá-lo.
Porém, não o leias em voz alta,
por acaso.

Ilustração: Vicio da Poesia. 

E volta Roberto Sosa

La brevedad límite                                                Roberto Sosa

Otro tiempo
Nos contuvo abrazados como dos niños ciegos
A punto de caer en la noche de los objetos.
Mi frente tarde. Duro el azar supuesto.
Blanca y desnuda la selva no existía a tu lado.
Nada
Había en el límite sino la marea en los ojos.
Busqué tu afecto, su música de agua,
 Con la intensidad
Con que suelen hacerlo los sentenciados
 Al sacrificio final,
Flor arriba, dormido.
Entonces, cualquier cosa,
Por ejemplo una pluma nos cubría la memoria
 De pájaros.
La brevedad límite del dolor de vivir
No era más que el instante de la estrella en el piso,
El reflejo del bosque en una hoja, o tal vez la nostalgia
Del carruaje en su estacionamiento.

O LIMITE DA BREVIDADE

Outro tempo
Nos conteve abraçados como duas crianças cegas
A ponto de cair na noite dos objetos.
Na minha frente a tarde. Duro é o acaso suposto.
Branca e nua a selva não existia a teu lado.
Nada
Havia no limite senão a maré nos olhos.
Busquei teu afeto, sua música de água,
  Com a intensidade
Como sói fazê-los os sentenciados
  Ao sacrifício final,
Flor suspensa, adormecida.
Então, qualquer coisa,
Por exemplo, uma pluma nos cobria a memória
  de aves.
O limite da brevidade da dor de viver
Não era mais que o instante da estrela no chão,
O reflexo da floresta numa folha, ou talvez a saudade
De um carro em seu estacionamento.


Ilustração: Filosofia blogger.