Monday, December 18, 2017

Uma poesia de Claudia Isabel Lonfat

POEMA SIMPLES                 
Claudia Isabel Lonfat

Así te amo
Con la simple complejidad
del amor
Sin palabras rimbombantes
ni metáfora indescifrable
Sin carteles luminosos
ni graffiti en las paredes
Sin análisis psicológico
ni complejos Freudianos
Sin revoluciones
ni catarsis, ni cataclismos
Sin venas cortadas
ni corazones rotos
Sin dolor anestesiado
ni flores deshojadas en Palomar
Sin Edison, Colón o Gardel
ni cambalache

Así te amo
con mi simple complejidad
con todo y nada
ahora
nunca
siempre…

POEMA SIMPLES  

É assim que te amo
Com a simples complexidade
do amor
Sem palavras bombásticas
nem metáfora indecifrável
Sem sinais luminosos
sem grafites nas paredes
Sem análise psicológica
nem complexos freudianos
Sem revoluções
sem catarse, nem cataclismas
Sem veias cortadas
nem corações partidos
Sem dor anestesiada
ou flores desfolhadas em Palomar
Sem Edison, Colón ou Gardel
nem cambalacho

É assim que te amo
com minha simples complexidade
com tudo e nada
agora
nunca
sempre ...

Ilustração: We Heart It. 

E, de volta, Carlos Bousoño

MUCHO TE QUISE                                               
Carlos Bousoño

Mucho te quise y con dolor te miro
cuando aquí pasas con tu sueño a cuestas.
Mas para siempre, desde lejos, hondos
mis ojos te recuerdan.

Aquí en la tarde te contemplo
pasar hostil y sin clemencia.
Vas dura con tu sueño amargo y triste.
Ingrato sueño que el amor te veda.

Muito te quis

Muito te quis e com dor te olho
quando aqui passas com teu sonho as costas.
Mas, para sempre, desde longe, profundos
meus olhos te recordam.

Aqui, na tarde, te contemplo
passar hostil e sem clemência.
Segues dura com teu sonho amargo e triste.
Ingrato sonho que ao amor te veda. 

Ilustração: Pinterest. 

Uma poesia de Ana Caliyuri

Ya es hora                       
Ana Caliyuri

Ya es hora
de encantar
la lira,
de graznar
sin tiempo,
de naufragar
sin límites
para quebrar
los silencios.
Ya es hora
de blancos hilados
de celestes empeños
para azular
el mundo
con sencillos versos.
Ya es hora
de alimentar
mi otoño
con la mar
existencial
hasta cualquier tregua…

JÁ É A HORA

Já é a hora
para amar
a lira,
de gritar
sem tempo,
de naufragar
sem limites
para quebrar
os silêncios.
Já é a hora
de fios brancos
de peões celestiais
para azular
o mundo
com sensíveis versos.
Já é a hora
para alimentar
meu outono
com o mar
existencial
até qualquer trégua....

Uma poesia de Carlos Barbarito

¿Para qué el instrumento..?                
Carlos Barbarito

¿Para qué el instrumento
si tiene las seis cuerdas cortadas?
¿Para qué un lugar entre los lugares,
a la mesa, si cada vez
es postergado el alimento?

PARA QUE O INSTRUMENTO?

Para que o instrumento
se tem as seis cordas cortadas?
Para que um lugar entre os lugares,
na mesa, se a cada vez
é postergado o alimento? 

Friday, December 15, 2017

Uma poesia de Virginia Quiroga

Sublime amor                                                    

Virginia Quiroga

Deja de existir lo terrenal y lo profano,
ya no nos separan muros ni abismos.
El rìo es puente, la imaginaciòn
palabras que nos acercan,
y creo superarlo todo.
Mis pies no tocan el suelo,
ya no hay tierra firme.
Me elevo con el alma,
con los sentimientos.
Y por fin llego hasta tus brazos.

AMOR SUBLIME

Deixam de existir o terrenal e o profano,
já não nos separam muros nem abismos.
O rio é uma ponte, a imaginação
palavras que nos aproximam,
e creio que superá-las de todo.
Meus pés não tocam o solo,
já não há terra firme.
Me elevo com a alma,
com os sentimentos.
E, por fim,  chego até teus braços.

Ilustração: Instituto Chico Xavier. 

Thursday, December 14, 2017

Uma poesia de Jimena Arnolfi

Habrá que consultarlo con dionisios                 

Jimena Arnolfi

cada vez que en un poema
como este
escribo la palabra corazón,
cruzo los dedos o hago cuernitos,
pero ya sabemos,
se viene un poema horrible

digo que tengo el corazón
masomenos así,
un vaso de vino que se cae,
un vaso de vino que se rompe,
algunos se mojan los dedos
y después los sacuden
para salpicar a otros,

¡felicidad, felicidad!,
dicen mientras
se la pegan a uno en el ojo

SERÁ NECESSÁRIO CONSULTÁ-LO COM DIONISIOS

cada vez que em um poema
como este
escrevo a palavra coração,
cruzo os dedos ou faço chifrinhos,
porém, já sabemos,
se vem um poema horrível

digo que tenho o coração
mais ou menos assim,
um copo de vinho que cai,
um copo de vinho que se quebra,
alguns molham os dedos
e depois os sacodem
para salpicar os outros

Felicidade, felicidade!
dizem enquanto
se lhes ficam um no olho


Ilustração: greekcellar.gr. 

Friday, December 08, 2017

A NEGUINHA ME DEIXOU

Neguinha, porque me deixas,    
Se eu nunca te deixei?
Guardo em mim, as minhas queixas
Implorar é o que não farei.

Neguinha, deixas um deserto,
Onde plantastes flor, alegria,
Nem sei se o caminho acerto
Sem tua doce companhia.

Tanto ouvi, era tão meiga, tua boca,
No quarto a me dizer meu amor
Com desejo, uma paixão louca, 
E, agora, só me acenas pelo retrovisor.

Porque me deixas, neguinha,
Depois de ter me acostumado?
Não sente uma saudadezinha
De tanto amor derramado?

Neguinha porque me deixas
Depois de tanto cuidado?
Sei que tens razão nas queixas,
Mas, tá doendo um bocado.


Ilustração: Mapa Pokemon GO. 

Thursday, December 07, 2017

E, de volta, Salvador Novo

 
Gracias, Señor, porque me diste un año...                               
Salvador Novo

Gracias, Señor, porque me diste un año
en que abrí a tu luz mis ojos ciegos;
gracias porque la fragua de tus fuegos
templó en acero el corazón de estaño.

Gracias por la ventura y por el daño,
por la espina y la flor; porque tus ruegos
redujeron mis pasos andariegos
a la dulce quietud de tu rebaño.

Porque en mí floreció tu primavera;
porque tu otoño maduró mi espiga
que el invierno guarece y atempera.

Y porque entre tus dones me bendiga
—compendio de tu amor— la duradera
felicidad de una sonrisa amiga.

GRAÇAS SENHOR, PORQUE ME DESTES UM ANO....

Graças, Senhor, porque  me destes um ano
em que abri para tua luz meus olhos cegos;
graças porque a forja de teus fogos
temperou em aço o coração de estanho.

Graças pela felicidade e pelos danos,
pelo espinho e a flor, porque  tuas preces
reduziram meus passos errantes
a doce quietude dor teu rebanho.

Porque em mim  floresceu tua primavera;
porque o teu outono amadureceu minha espiga  
que o inverno  guarnece e tempera.

E porque para que entre teus dons me bendiga
-compêndio de teu amor-a duradoura
felicidade de um sorriso amigo.

Ilustração: Mensagens com amor. 

E, uma vez ainda, José Emílio Pacheco

CONTRAELEGÍA        
José Emilio Pacheco

Mi único tema es lo que ya no está
Y mi obsesión se llama lo perdido
Mi punzante estribillo es nunca más
Y sin embargo amo este cambio perpetuo
este variar segundo tras segundo
porque sin él lo que llamamos vida
           sería de piedra.

CONTRAELEGIA

Meu único tema é o que já não existe
E minha obsessão se chama o perdido
Meu pujante estribilho é nunca mais
E, sem embargo, amo esta mudança perpétua
este variar segundo após segundo
porque sem ele o que chamamos vida
seria de pedra.


Ilustração: Velho Sábio. 

Tuesday, December 05, 2017

Outra poesia de Anne Hébert

Au palais de l\'enfant sauvage                   

Anne Hébert

Au palais de l'enfant sauvage
Jaillirent des larmes de sel
Leur éclat fut tel
Que les gardes qui veillent
Aux marches du palais
Furent terrassés sans retour
Dans un éblouissement de lune et de cristal
Insoutenable et sans objet apparent.

No palácio do infantil selvagem

No palácio do infantil selvagem
Derramando lágrimas de sal
Seu brilho era tal
Que os guardas que assistem
Nos degraus do palácio
Foram devastados sem retorno
Em uma lua deslumbrante e cristal

Inesquecível e sem objeto aparente.

Mais uma poesia de Yves Bonnefoy



Le soir

Yves Bonnefoy

Rayures bleues et noires.
Un labour qui dévie vers le bas du ciel.
Le lit, vaste et brisé comme le fleuve en crue.
- Vois, c'est deja le soir,
Et le feu parle auprès de nous dans l'éternité de la sauge.

O ENTARDECER

As listas azuis e negras.
Os sulcos que se desviam sob a base do céu.
A cama, larga e quebrada como o rio inundado.
- Veja, já escurece,
E o fogo do nosso lado fala na sábia eternidade.


Ilustração: De Olho No Tempo Meteorologia- Foto: Celso Dias

Uma poesia de Tiel Aisha Ansari

Informational Decay            
Tiel Aisha Ansari

I heard an echo in a hollow place.
No sound of blowing wind or drifting sand,
some ancient voice was this, a captive trace
of gone-by speech, of argument, demand,

of plea or question, comfort or command.
Long years this message had remained unheard
in empty halls, in untenanted lands,
a letter lost, a homeless, wandering word.

I could not judge it solemn or absurd,
the language, one I'd never learned to speak.
Was it then call of beast or cry of bird
from whiskered mouth, or brightly colored beak?

No. No, this was human speech, now lost.
A warning wasted, at an unknown cost.

Decadência da Informação

Escutei um eco num lugar vazio.
Sem som do vento ou da areia se espalhando,
Alguma voz anciã era isto, um cativo traço
de discurso passado, de argumento, demanda,

de súplica ou questão, conforto ou comando.
Por longos anos, esta mensagem permaneceu inaudível
em salas vazias, em incultivadas terras,
uma carta perdida, um sem-teto, uma palavra errante.

Eu não podia julgá-la solene ou absurda,
a uma linguagem, que eu nunca aprendi a falar.
Fui então chamado de besta ou choro de pássaro
de grossa boca ou de bico de cores vivas?

Não. Não, este era um discurso humano, agora perdido.
Um aviso desperdiçado, a um custo desconhecido.





Thursday, November 30, 2017

Uma poesia de Pierre Nepveu

ÉTUDE                           
Pierre Nepveu

À l’orée du grand soir,
on a posé la coutellerie
sur la table, on entend
des sanglots invisibles
venus du placard
et qui cherchent la consolation
dans l’habitation des pièces,
on est chez soi à calculer
la mort, on est entré
dans l’âge où chaque parole
repousse des montagnes de vie,
endigue les grandes manières
de la désolation hautaine,
et même l’orgueil d’être peu
s’est tu dans les haut-parleurs
qu’on avait braqués dans la cour
pour amplifier nos riens,
on entend souffler le vent
à la page cinq cents et quelques
d’un dictionnaire surpeuplé,
on y cherche le sens
et des exemples du mot douleur.

ESTUDO

Na borda da grande noite,
dispomos os talheres
sobre a mesa, ouvimos
os soluços invisíveis
do armário
e que buscam consolo
nas peças da  habitação,
onde estamos em casa para calcular
a morte, onde entramos
na idade em que cada palavra
repõe montanhas de vida,
para os grandes caminhos
de altiva desolação,
e mesmo o orgulho de ser pequeno
ecoa nos alto-falantes
que havíamos colocado no quintal
para amplificar nossas palhaçadas,
ouvimos o vento soprar
na página quinhentos e qualquer coisa
de um dicionário superlotado
e estamos procurando o significado
e os exemplos da palavra dor.


Ilustração: TNOnline – Uol.