Thursday, February 15, 2018

Uma poesia de Gisela Galimi


NO RECUERDO                                    

Gisela Galimi

En un bar adonde nunca fuimos
senté nuestro recuerdo
yo jamás entré allí
no bebí su humedad
no escribí su silencio
No creo que lo hayas visto siquiera
sólo me pareció un buen lugar
-marrón y sombrío-
para dejar el no recuerdo
de un no amor.
Cuando paso por allí
Trato de no pensarte.

NÃO RECORDAÇÃO

Num bar onde nunca fomos
senti a nossa lembrança
eu jamais entrei ali
não bebi sua umidade
não escrevi seu silêncio
Não creio que o haja visto sequer
só me pareceu um bom lugar
-marrom e sombrio-
para deixar nele a não recordação
de um não amor.
Quando passo por ali
trato de não pensar em ti. 

Ilustração: Área 17. 

E, de volta Meira Delmar



Meira Delmar

Toca mi corazón tu mano pura,
Lejano amor cercano todavía,
Y se me vuelve más azul el día
En la clara verdad de la hermosura.
Memoria de tu beso, la dulzura
Recobra su perdida melodía.
Y torna al cielo de la frente mía
El ángel inicial de la ventura.
El viento es otra vez un manso río
De jazmines abiertos. El estío
Entreabre su vena rumorosa.
Y el tiempo se detiene desvelado,
A orillas del recuerdo enamorado
Que enciende el corazón cuando le roza.

SONETO DO AMOR RELEMBRADO

Toca meu coração tua mão pura,
Distante amor tão perto, todavia,
E se me volta mais azul o dia
Na clara verdade de tua formosura.

Memoria de teu beijo, a doçura
Recupera a perdida melodia.
E torna o ceú o rosto ao meio dia
Do anjo inicial da maior ventura

O vento é outra vez um manso rio
De jasmineiros abertos. O estio
Entreabre sua veia tão vigorosa 

E o tempo se détem desvelado,
Nas margens da memória tão enamorado
Que acende o coração quando te roça. 

Ilustração: O amor é brega. 

E outra poesia de Antonio Gala

Antonio Gala

Si todo acabó ya, si había sonado
La queda y su reposo indiferente,
¿Qué hogueras se conjuran de repente
Para encenderme el pozo del pasado?

¿Qué es esta joven sed? ¿Qué extraviado
Furor de savia crece en la simiente?
Si enmudecí definitivamente,
¿Para quién canta un nido en mi costado?

¿Por qué cruzas, abril, mis arenales
Talándome el recuerdo y su enramada,
Aromando rosales sin renuevo?

¿Qué esperanza me colina los panales?
¿Qué me das a beber de madrugada,
Destructor de promesas, amor nuevo?

SE TUDO ACABOU JÁ

Se tudo acabou já e, se havia soado
A queda e seu repouso indiferente,
Que fogueiras se conjuram, de repente
Para iluminar o poço do passado?

O que é esta jovem sede? Que extraviado
Furor de seiva cresce na semente?
Se emudeci definitivamente
Para quem canta um ninho em meu costado?

Por que cruzas, abril, minha areias
Trazendo-me a recordação e com seus ramos,
Aromando roseiras sem renovação?

Que esperança dos favos de abelhas das colinas?
O que me dás para beber na madrugada,
Destruidor de promessas, amor novo?


Ilustração: Youtube. 

Wednesday, February 14, 2018

Uma poesia de Desi Di Nardo


Summer Sonata                 

Desi Di Nardo

The sun sizes it up
A fast grey machine
Lopes like the wolf
Stashed among trees
Insouciant as the wind
Heard but once a year
Sighing cryptic litanies
Fomenting everything
You see it like this
Pregnant with cause
You do not look again
Until the din is slick with dew
And the false movement within
Hints of its seared bronzed skin
As the mythical locust begs for
Reprise
Spurned yet again
Sunshine cedes
Fall begins

Sonata de verão  

O sol levanta
Com rapidez de uma máquina cinza
Lopes gosta do lobo
Escondido entre as árvores
Soluçante como o vento
Ouvido, porém, uma vez por ano
Suspirando litanias crípticas
Fomentando tudo
Você vê isto como
Grávida com causa
Você não olha novamente
Até que o barulho esteja liso com o orvalho
E o falso movimento dentro
palpite como bronzear sua pele
Como o gafanhoto mítico exige
Reprise
Rejeitado novamente
O sol cede
A queda começa


Ilustração: Artigos sobre filmes. 

Outra poesia de Ada Inés Lerner


La pasión en el tiempo                                       

 Ada Inés Lerner

Antiguo quedo el amor en el tiempo
la sed ajena se equivoca
es mirar de afuera la mesa puesta
carne antigua que se incendia.

En la edad perdida del amor
la pasión evocada se retoba
los ojos se nublan detrás del silencio
silencio que duele y ahora sí importa
el color rojo sangre de la pasión perdida

Y atrás el tiempo antiguo lacera
la ternura que la piel imagina
hasta que queda yerta en la cama
en pasiva actitud de inútil espera

A PAIXÃO NO TEMPO

Antigo permanece o amor no tempo
a sede alheia se equivoca
ao olhar de fora a mesa fora
a carne antiga que se incendeia.

Na idade perdida do amor
a paixão evocada rodeia
os olhos que se nublam atrás do silêncio
silêncio que dói e agora se importa
com o sangue cor vermelha da paixão perdida

E atrás do tempo antigo lacera
a ternura que a pele imagina
até que ela esteja inerte na cama

na atitude passiva de inútil espera 

Ilustração: Contos na Colina. 

Thursday, February 08, 2018

TOADINHA PARA DESCANSAR O SEDÉM


Eu sei que cadeira dura
não pode te fazer bem.
Forra o banco, criatura,
usa almofada, meu bem.
Oh! Meu querido amor!
Oh! Meu querido bem! 
Te peço, por favor,
descansa o teu sedém!
Como levou uma queda
sei que não ficou bem,
mas, sossega, meu amor,
descansa o teu sedém!
Este teu formoso assento,
que é buttocks em inglês,
já me foi recomendado  
que deve acariciado
noventa dias por mês!
Mas, seja lá como for,
te peço com gentileza,
meu doce e querido bem
é problema de beleza
descansa o teu sedém!   
Descansa que te faz bem!


Ilustração: http://www.novitaambientes.com.br

MARCHINHA DO VAI E VOLTA


(Homenagem as mulheres que vão sozinhas ao Vai e Volta)

O meu amor vai brincar o carnaval
sozinha vai no Vai e Volta.
O meu medo, muito natural,
é que vai, mas, depois não volta!
Contrariado digo pra não ir
que mulher só pulando na pipoca
não dá certo, nunca deu, nunca dará!
Ela toda prosa me provoca
quem foi que disse que não dá!
Dá! Dá! Dá! Dá sim!
E pisca o olho sorrindo para mim!
Ah! Quanta emoção!
Não brinque não,
não faz assim com meu coração
Que se ele for não volta!
Não dá! Não dá! Dá não!
Que meu coração papoca!
Dá! Dá!Dá!Dá sim!
Canta a danada,
poderosa,
zombando de mim!

Wednesday, February 07, 2018

Outra poesia de Leopoldo María Panero


A FRANCISCO

Leopoldo María Panero

Suave como el peligro atravesaste un día
con tu mano imposible la frágil medianoche
y tu mano valía mi vida, y muchas vidas
y tus labios casi mudos decían lo que era el pensamiento.
Pasé una noche a ti pegado como a un árbol de vida
porque eras suave como el peligro,
como el peligro de vivir de nuevo.

A FRANCISCO

Suave como o perigo atravessastes um dia
com tua mão impossível a frágil meia-noite
e tua mão valia minha vida, e muitas vidas
e teus lábios quase mudos diziam o que era o pensamento.
Passei uma noite a ti pegado como a uma árvore de vida
porque eras suave como o perigo,
como o perigo de viver de novo.

Ilustração: le-ticiaconde.blogspot.com.  


Uma poesia de Leopoldo María Panero

Canción para una discoteca    

Leopoldo María Panero

No tenemos fe
al otro lado de esta vida
sólo espera el rock and roll
lo dice la calavera que hay entre mis manos
baila, baila el rock and roll
para el rock el tiempo y la vida son una miseria
el alcohol y el haschisch no dicen nada de la vida
sexo, drogas y rock and roll
el sol no brilla por el hombre,
lo mismo que el sexo y las drogas;
la muerte es la cuna del rock and roll.
Baila hasta que la muerte te llame
y diga suavemente entra
entra en el reino del rock and roll.

CANÇÃO PARA UMA DISCOTECA

Não tenhamos fé
do outro lado desta vida
só espera o rock and roll
o disse a cavaleira que há entre minhas mãos
dança, dança o rock and roll
para o rock o tempo e a vida são uma miséria
o álcool e o haxixe não dizem nada da vida
sexo, drogas e rock and roll
o sol brilha pelo homem,
o mesmo que o sexo e as drogas;
a morte é o berço do rock and roll.
Dança até que a morte te chame
e diga suavemente entra
entra no reino do rock and roll.

Ilustração: Amino Apps. 

Tuesday, February 06, 2018

Poema da doçura da cruz

                                       
Quando olhar no teu olhar-
seja em que circunstância for-
não importa o que pareça
há de aparecer o amor
por mais que a tortura ofereça,
ao ser incerto ou esquivo,
não terás motivo
para fazer um inferno.
Creia: voltarei para os teus braços
sempre o mesmo, sempre terno,
doido, maluco, desesperado
para te amar
procurando esquecer
tudo que ficou para trás,
inclusive o tempo de rir ou chorar.
Este momento de recomeçar
será como fazer luz,
pela primeira vez,
e tu verás
como um Cristo de saias que terás,
entre todas as cruzes,
a mais leve cruz
a de amar a quem te seduz
porque seduzido
sempre esteve por você!

Ilustração: Amar como Jesus amou - WordPress.com. 

Uma poesia de Carlota Gauna

¿Quién eres tú?                

Carlota Gauna

Quién eres tú que no necesitas ni siquiera tocarme
pues con sólo mirarme me traspasas el alma
y me entregas tu calma en tu lenta sonrisa
cuando cierro los ojos sintiendo tu presencia
cual un ángel que vela mi conciencia.
Quién eres tú que con sólo acercarte
logras que recupere mis perdidos espacios,
me acaricias por fuera, me transformas por dentro
y siento que me quema el fuego de tus labios.
Quién eres tú que has logrado salvarme
del abismo insondable de mi antaño quebranto.
Te bastó con mirarme para saber mi historia
y de allí en adelante me ofreciste la gloria.
Quién eres tú que una noche de estrellas
tocaste a mi puerta e invadiste mi casa.
Me cubriste de flores, ¿cuál de todas más bella?
y ya no hubo rincones para inmolar querellas.
He nacido esa noche y a tus brazos asida
ya no hay nada que estorbe este amor que me abraza.
Se ha quedado conmigo, ha anidado en mi pecho,
restaurando por siempre tantos sueños deshechos.

QUEM ÉS TU?

Quem és tu  que não necessita nem me tocar,
Pois, apenas em me olhar trespassa minha alma
e me entregas tua calma no teu lento sorriso
quando fecho os olhos sentindo tua presença
qual um anjo que vela minha consciência.
Quem és tu, que apenas se aproximando
consegue recuperar meus espaços perdidos,
me acaricia por fora, me transforma por dentro
e sinto que me queima o fogo de teus lábios.
Quem és tu que conseguiu me salvar?
do abismo insondável do meu passado quebrado.
Que bastou me olhar para saber minha história
e de ali em diante me ofereceste a glória.
Quem és tu numa noite de estrela
tocaste na minha porta e invadiste minha casa.
Me cobriste de flores, qual delas a mais bela?
e já não havia cantos para imolar querelas.
Eu nasci nesta noite em seus braços enlaçada
e não há nada que impeça esse amor que me abraça.
Ele ficou comigo, se aninhou no meu peito,
restaurando para sempre tantos sonhos desfeitos.


Uma poesia de Ada Inés Lerner

AMORES LOCOS                                      
Ada Inés Lerner

Amores locos
el viento,
quieren prohibir el viento
el viento que escribe en las piedras
duro y pertinaz y tibio;
el viento
forma las dunas de nuestros cuerpos
como en un espejo, lápiz perfumado
como en la sábana blanca se modela el deseo

el viento
arrastra los ojos, los abraza y sus quejidos
enciende la ternura entre danzas ciegas y
el deseo que crece y decrece en la piel

el viento
entre las gotas de humedad que muerden
quiebra fronteras, recorre los mapas
como aquel río que se aleja y no vuelve

el viento,
quieren prohibir el viento
porque atraviesa las sombras
como un milagro entre notas blancas
como si fuera un laúd antiguo resucita
y crece entre amores locos,

el viento
quieren prohibir el viento
por eso, sólo por eso

AMORES LOUCOS  

Amores loucos
o vento,
querem banir o vento
O vento que escreve nas pedras
duro e teimoso e frágil;
o vento
que forma as dunas de nossos corpos
como no espelho, lápis perfumado
como na folha branca se modela o desejo

o vento
arraste os olhos, os abraca e seus gemidos
inflama a ternura entre danças cegas e
o desejo que cresce e diminui na pele

o vento
entre as gotas de umidade que mordem
fronteiras falidas, viaja nos mapas
como aquele rio que se alheia e não retorna

o vento,
querem banir o vento
porque atravessa as sombras
como um milagre entre notas brancas
como se fosse um alaúde antigo ressuscitado
e que cresce entre amores loucos,

o vento
querem banir o vento
é por isso que, só por isso

Ilustração: Vagalume. 

Monday, February 05, 2018

Uma poesia de Warsan Shire

Souvenir                                                                                         
Warsan Shire

I think I brought the war with me
on my skin, a shroud
circling my skull, matter under my nails.
It sits at my feet while I watch TV.
I hear its damp breath in the background
of every phone call. I feel it sleeping
between us in the bed. It lathers
my back in the shower. It presses
itself against me at the bathroom sink.
At night, it passes me the pills, it holds
my hand, I never meet its gaze.

LEMBRANÇA

Eu penso que trouxe a guerra comigo
na minha pele, como uma mortalha
circulando no meu crânio, matéria debaixo das minhas unhas.
Senta-se aos meus pés enquanto vejo a TV.
Eu ouço sua respiração úmida no fundo
de cada chamada telefônica. Eu sinto isto dormindo
entre nós na cama. São as espumas
nas minhas costas no chuveiro. Pressiona
a si mesmo contra mim na pia do banheiro.
À noite, passa-me as pílulas, segura
minha mão, eu nunca encontro seu olhar.


Ilustração: e aí, Freud explica?